Alta performance sustentável: produzir sem operar no limite o tempo todo

A noção de que grandes resultados exigem desgaste emocional vem sendo revista por profissionais da psicologia esportiva. A psicóloga Aline Wolff, conhecida pelo trabalho com atletas olímpicos, argumenta que saúde mental não deve ser tratada como oposta à alta performance, mas como a estrutura que permite sustentá-la ao longo do tempo.

Segundo ela, parte das gerações mais novas passou a associar ambição a exaustão, recusando modelos de sucesso marcados por dedicação sem limites e adoecimento. Para Wolff, porém, o problema está justamente nessa lógica de oposição. Em vez de reduzir metas ou evitar responsabilidades, cuidar da saúde mental significaria desenvolver autoconhecimento suficiente para reconhecer limites, ajustar ritmo e decidir quando acelerar ou recuperar energia. Dessa forma, a saúde mental é definida como a capacidade de se entender em meio aos desafios.

Essa abordagem é aprofundada no livro “Alta Performance Sustentável: Saúde Mental para Vencer”. Nele, Wolff recorre ao conceito de periodização, usado no esporte para controlar carga e recuperação ao longo do tempo. A proposta parte da ideia de que ninguém consegue sustentar esforço máximo diariamente. Aplicada a outras áreas, essa lógica envolve reconhecer períodos mais exigentes da vida, identificar semanas e dias críticos e reorganizar a rotina para preservar energia antes de entregas importantes. Para a psicóloga, distribuir intensidade de forma estratégica reduz desgaste contínuo e evita chegar aos momentos decisivos já sem força. “Temos momentos de entrega e momentos de recuperação”, sintetiza.