Erros x acertos

“Se você se apega a uma crença, é difícil ver a evidência contrária e reconhecer que está equivocado. Se é capaz de reconhecer o erro, o próximo passo é admiti-lo publicamente, o que envolve outras apostas: serei humilhado, as pessoas aceitarão o erro, terei de pagar por isso?  Por razões culturais, associamos erro a estupidez, irresponsabilidade, preguiça ou falta de esforço.”

Kathryn Schulz, autora de Por que Erramos?, comenta nossa dificuldade em admitir equívocos. Para ela, quando você “percebe que está errado, é forçado a recuar e a reconstruir a ordem dos fatos, o que te permite aprender”. O mesmo não pode ser dito do acerto: não é um processo de aprendizado, mas de reforço.

A vida digital potencializou a necessidade da retidão. O êxito (externo) vira cobrança pessoal. A conquista só é válida quando desperta a atenção dos demais. A atitude, tão louvada no discurso, só vale quando legitimada pelo coletivo. A virtude requer plateia.