Por que a autocompaixão pode ser mais importante que a autoestima

Enquanto o mercado de autoajuda promove o resgate da autoestima, a psicóloga Kristin Neff aponta um efeito colateral pouco discutido: a amplificação de uma epidemia de narcisismo. Sua observação não é apenas teórica. Em 12 anos de docência, ela percebeu uma mudança clara no comportamento dos alunos, que desmoronam diante de notas medianas.

A lógica da autoestima é excludente, pois exige que alguém esteja por baixo para que outro se sinta por cima. Esse mecanismo comparativo alimenta rivalidades, bullying e preconceitos, cobrando um alto preço na saúde mental, manifestado em ansiedade e depressão.

A virada de chave proposta por Neff é substituir o julgamento pela autocompaixão. Essa prática não envolve indulgência, mas uma resposta diferenciada: enquanto a autocrítica eleva os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, acolher as próprias falhas estimula a liberação de ocitocina, trazendo segurança e bem-estar físico.

A proposta é prática: tratar a si mesmo com a mesma tolerância que oferecemos a um amigo em dificuldade. Ao eliminar a dependência da validação externa, a estabilidade emocional deixa de ser um prêmio por desempenho e torna-se uma ferramenta de resiliência.

Neff lançou, em abril, o livro Self-Compassion.

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