
Na semana passada estive em Manaus-AM para a abertura da XII Semana de Comunicação Social da Uninorte. Minha palestra abordou comunicação, novas mídias e cultura digital, com ênfase no papel do comunicador online, comportamento do leitor nesse novo ambiente, jornalismo colaborativo, sites hiperlocais de notícias, engajamento da audiência (e não apenas a criação de espaços de comentários), apoio da tecnologia no processo jornalístico, narrativa transmídia e cultura do remix.
Apresentei pontos práticos, alguns já tratados no meu e-book Comunicação em Rede, enquanto outros serão aprofundados posteriormente, como os conceitos de beat blogging e linking data.
Acredito que a conversa foi proveitosa. Aliás, fui muito bem recebido pela comunidade local. Após uma entrevista ao vivo na televisão, a apresentadora me cumprimentou com um abraço caloroso. Também tive a oportunidade de apreciar algumas iguarias regionais, como o cupuaçu, inclusive continuei saboreando doces da fruta após a viagem.
Quanto ao evento, meu objetivo foi demonstrar que, mais do que desafios, o novo cenário apresenta oportunidades. Em diálogos com estudantes e profissionais de comunicação, percebo frequentemente ansiedade e a busca por respostas definitivas. No entanto, elas não existem. O futuro não chegará; ele está sempre em transformação, como sempre esteve.
Defendi, nas entrevistas e na palestra, que os impactos dessas mudanças são amplos e que ainda estamos no início da construção de uma sociedade conectada. Atualmente, há mais de 1 bilhão e meio de internautas no mundo. Segundo pesquisa da empresa comScore World Metrix, 60% desses usuários acessaram redes sociais on-line no mês de março.
Essas pessoas interagem, produzem conteúdo, se manifestam on-line, criam arte coletivamente e compartilham conhecimento. À medida que cresce o número de usuários das novas mídias, sua influência também tende a se ampliar.
Antes, a indústria da informação era dominante; agora, ela convive com outros agentes, pois qualquer internauta pode criar sua própria publicação on-line, como blogs, podcasts e perfis no Twitter. Para Chris Anderson, editor da revista Wired, os meios tradicionais de comunicação deixaram de constituir um monopólio, ou a única forma de distribuir notícias.
Independentemente de se tratar de meios tradicionais ou novos, o que prevalece é o capital social, a visibilidade e a credibilidade junto a um determinado público.
Na área da cultura, a criação coletiva ganha destaque. Fãs se dedicam à cultura do remix, retrabalhando produções de outros artistas. Além disso, os recursos multimídia da internet permitem o desenvolvimento de projetos transmídia, nos quais uma mesma história circula por diversos meios de comunicação, como televisão, internet, videogames, cinema e livros.
Atualmente, diversos dispositivos eletrônicos possibilitam comunicação e colaboração entre as pessoas. Entretanto, como argumenta Henry Jenkins, autor de Cultura da Convergência, a verdadeira sinergia não ocorre nos aparelhos, mas nas relações entre indivíduos e nas interações sociais que constroem. As tecnologias respondem a essa dinâmica e funcionam como meio para que o processo aconteça.
Hoje, os setores mais impactados por essas inovações são comunicação e entretenimento, mas os efeitos das novas tecnologias tendem a alcançar outras áreas.
Até a próxima.
Na imagem: Shopping Manauara, centro comercial que preserva uma mini-reserva florestal existente no local antes da construção do empreendimento e incorporada ao projeto. A foto foi publicada no meu Flickr.

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