Sobre cadé

Jornalista, mestre em culturas midiáticas e consultor de comunicação/estratégia digital. Ouço muito, leio em demasia e acredito: “cinema é a maior diversão”

Cultivando laços verdadeiros

 

Num mundo que valoriza posições polarizadas, é possível construir conexões verdadeiras? A pesquisadora Brené Brown passou pela TED e fez uma ótima palestra sobre como a vulnerabilidade influencia nas relações interpessoais e na construção de nossas identidades.

Em sua pesquisa, ela explorou o que nos impede de fazer conexões verdadeiras. Quando somos dominados pelo medo e a vergonha, julgamos não merecer laços sociais fortes.

Segundo Brown, ao invés de encararmos a questão, nós fazemos o incerto parecer certo. “Minha religião é a correta; suas crenças, erradas”. Na política, substituímos o debate pela necessidade de apontar culpados. Seguimos com esse padrão, pois “acreditamos” que nossos atos não impactam outras pessoas.

Vivemos num mundo vulnerável, mas decidimos ignorar nossos sentimentos, reflete Brown. Anestesiamo-nos gastando muito, comendo em excesso, usando remédios em demasia etc. Para ela, não é possível contornar essas questões seletivamente. Quando anestesiamos sentimentos pesados, também comprometemos a alegria, a gratidão e a felicidade.

Iniciamos um ciclo nocivo, de fuga, no qual nos entregamos ao consumo. Distanciamo-nos, assim, de sermos autênticos e reais. “Vulnerabilidade é o berço de inseguranças, mas também da criatividade, do pertencimento e do amor”, pondera.

Há pessoas que compreendem isso, chamados por Brown de corações-plenos. São indivíduos que aceitam o imponderável da vida. Em comum,  cultivam a coragem (de serem imperfeitos), compaixão (consigo e com os outros, nessa ordem) e a… Vulnerabilidade. Ao invés de prever e controlar, abraçam novos caminhos, mesmo sem a certeza do sucesso.

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Geração Z

Apps

Após concentrarem seus esforços nos millennials (ou geração Y), os publicitários agora observam a ascensão de outro grupo, a geração Z. Formado por pessoas nascidas entre 1996 e 2010,  essa geração passeia pelo mundo digital desde cedo. Ou seja, não precisaram fazer a transição de um mundo dominado por tecnologias analógicas para o ciberespaço.

A Adweek, em parceria com a Defy Media, mapeou os hábitos de consumo de mídia desse grupo.  Entre as preferências, os  mesmos campeões de audiência. Mas a posição ocupada no ranking revela dados interessantes.

Para quem tem entre 13-20 anos, o YouTube reina absoluto: 95% dos jovens usam o serviço de vídeo do Google. Em seguida, aparece o Instagram (69%). A maior rede social online, o Facebook, empata com o Snapchat, com 67%. O Twitter ocupa a quinta colocação, com 52%. O “esquecido” Google+ (37%) aparece na frente de outros serviços mais badalados, como Pinterest (33%) e Tumblr (29%). 

Imagem via Flickr

Millennials e seus estereótipos

Únicos, livres, pacifistas, ativistas, felizes e dançam o todo tempo. Com base em ideias generalistas, o banco de imagens Dissolve e a agência And/Or criaram um meta-anúncio que brinca com os clichês associados aos millennials.

Expresso Futuro

Acima, playlist com todos os episódios do programa Expresso Futuro. Apresentado pelo sempre antenado Ronaldo Lemos, o programa investiga como a tecnologia transforma nosso cotidiano. Cidades inteligentes; relacionamentos em tempos de hiperconexão; o futuro do trabalho; moedas virtuais; democracia e tecnologia; realidade virtual; ativismo na internet; arte e tecnologia e realidade virtual são alguns dos temas apresentados.

Com abordagem acessível, Expresso Futuro vai além do didatismo ao propor questões pertinentes. Por exemplo, no programa sobre inteligência artificial, Lemos questiona: como ensinar dilemas morais para as máquinas? Empregos serão perdidos por causa da inteligência artificial? Os dados que alimentam a AI tem como base ideias preconceitas? Assistentes virtuais, ao usarem predominantemente vozes femininas, não estariam perpetuando esteriótipos de gêneros?

“Link na bio”

A disputa segue entre Instagram Stories e Snapchat, com ambos lançando novos recursos num curto espaço de tempo. Nesse mês, os dois aplicativos trouxeram novidades. O Instagram entregou recursos incrementais, como responder atualizações no Stories.

Em sua nova versão, o Snapchat elaborou um pacote de novidades maior, que inclui até alterações de voz (acima). Uma das mais relevantes, porém, foi pouco comentada: a possibilidade de inserir links no Snapchat (abaixo).

Em 2017, soa estranho um app divulgar como novidade a possibilidade de criar conexões com outros endereços. Mas a funcionalidade, uma das mais tradicionais do ciberespaço, muitas vezes é um corpo estranho num mundo dominado por aplicativos, cada vez mais voltados para si. O Instagram, por exemplo, até hoje só permite um único link clicável, na biografia do usuário.

Para evitar o surgimento do flâneur digital, as estratégias são muitas. Uma delas é facilitar a criação de conteúdo (como o Instant Articles, do Facebook). E, mesmo quando permitem o acesso a links externos, alguns apps o fazem através de navegadores embutidos. Ou seja, circula-se por vários destinos, mas o visitante nunca abandona o território de origem.